PETIÇÃO PEDONALIZAR A RUA GARRETT
O coração de Lisboa merece ser pedonal 💚

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Exmo. Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Municipal de Lisboa, André Moz Caldas,

Os abaixo-assinados vêm solicitar que a Assembleia Municipal de Lisboa delibere recomendar à Câmara Municipal de Lisboa a pedonalização integral, permanente e contínua da Rua Garrett, no Chiado, bem como das ruas adjacentes que tecnicamente se revelem necessárias para garantir a segurança, a continuidade e a coerência da zona pedonal.

Solicita-se, em concreto, que a Rua Garrett seja encerrada ao trânsito e ao estacionamento de veículos motorizados, mantendo-se apenas os acessos estritamente indispensáveis, nomeadamente a veículos de emergência, serviços públicos essenciais e situações justificadas de mobilidade condicionada.

A Rua Garrett é uma das ruas mais emblemáticas de Lisboa e de Portugal. Situada no coração do Chiado, liga a Rua do Carmo ao Largo do Chiado e concentra comércio, património, cultura, turismo e vida quotidiana, nomeadamente espaços de grande valor simbólico, como a Livraria Bertrand, a mais antiga do mundo em funcionamento, e o Café A Brasileira, para sempre associado à memória de Fernando Pessoa.

Apesar desta centralidade pedonal, cultural e comercial, a Rua Garrett continua a permitir circulação e estacionamento automóvel, que associado ao seu estatuto de ícone cultural e ponto de visita obrigatório, cria um conflito permanente entre peões e veículos, numa rua estreita para a afluência, e com passeios manifestamente insuficientes para o volume de pessoas que a visita e utiliza diariamente.

Este problema reveste-se de importância para as pessoas com mobilidade reduzida, utilizadores de cadeira de rodas, pessoas com carrinhos de bebé, crianças e idosos, onde constantemente, estes, são obrigados a circular pela faixa de rodagem, partilhando o espaço com automóveis em circulação e estacionados, uma situação incompatível com uma cidade segura, acessível e inclusiva.

Apontamos ainda, algo que nos parece uma incoerência urbanística, pois a Rua do Carmo, que desemboca na Rua Garrett, encontra-se há muito pedonalizada e funciona como eixo natural de circulação pedonal entre a Baixa e o Chiado. No entanto, ao chegar à Rua Garrett, esse fluxo de pessoas é interrompido por uma rua onde o automóvel continua a ocupar o espaço público. A pedonalização da Rua Garrett permitiria corrigir esta descontinuidade e criar uma ligação pedonal segura, legível e coerente.

A zona envolvente referida é uma das melhores servidas por transportes públicos em Lisboa, com a estação de metro Baixa-Chiado a curta distância, com ligação às linhas Azul e Verde, e com várias carreiras de autocarro e elétrico nas imediações. Assim, a manutenção da Rua Garrett como via de circulação e estacionamento automóvel não é, por isso, uma necessidade de acessibilidade geral à zona. Pelo contrário, constitui uma utilização desproporcionada de espaço público escasso.

A pedonalização é também uma medida de saúde pública e de qualidade ambiental, pois a zona da Baixa e o Chiado integram uma área urbana onde a poluição atmosférica, em especial o dióxido de azoto associado ao tráfego rodoviário, continua a ser uma preocupação relevante. Reduzir a circulação automóvel no centro histórico contribuirá para diminuir emissões, ruído, congestionamento e exposição diária de residentes, trabalhadores, visitantes e comerciantes.

Importa ainda sublinhar que a pedonalização não deve ser vista como uma ameaça ao comércio local. Pelo contrário, ruas caminháveis, seguras e confortáveis aumentam o tempo de permanência das pessoas, tornam o espaço público atrativo e favorecem o comércio de rua. A experiência de outras zonas pedonais de Lisboa, como a Rua Augusta e a Rua do Carmo, demonstra que o comércio beneficia de ruas desenhadas prioritariamente para pessoas.

Também não é correto assumir que o encerramento da Rua Garrett ao trânsito geral transferirá automaticamente todo o tráfego para as ruas adjacentes. A evidência internacional sobre a reatribuição de espaço viário mostra que parte do tráfego desaparece por alteração de comportamentos: algumas viagens deixam de ser feitas de carro, outras mudam de rota, de horário ou de modo de transporte. Este efeito é tanto mais provável numa zona central, densa, servida por metro, autocarros, elétricos e percursos pedonais consolidados.

A reorganização da Rua Garrett deve ainda ter em conta a segurança operacional e o acesso de emergência. Num bairro marcado pela memória do incêndio do Chiado de 1988, é essencial garantir ruas desimpedidas, legíveis e acessíveis a veículos de socorro. A eliminação do estacionamento e do trânsito de atravessamento contribuirá para melhorar, e não prejudicar, essa segurança.

Pedonalizar a Rua Garrett significa devolver prioridade às pessoas numa rua cuja função principal já é pedonal, cultural, comercial e simbólica. Significa melhorar a segurança, a acessibilidade, a qualidade do ar, o conforto urbano e a dignidade de um dos espaços públicos mais importantes de Lisboa.

Assim, os signatários solicitam que a Assembleia Municipal de Lisboa recomende à Câmara Municipal de Lisboa:

1. A pedonalização integral e permanente da Rua Garrett;

2. A eliminação do estacionamento automóvel na Rua Garrett;

3. O encerramento da rua ao trânsito motorizado geral;

4. A criação de regras claras para acessos excecionais, nomeadamente emergência, cargas e descargas reguladas, serviços essenciais e mobilidade condicionada;

5. A integração das ruas adjacentes necessárias para garantir continuidade e segurança da zona pedonal;

6. A melhoria das condições de acessibilidade universal, incluindo pavimento, atravessamentos, mobiliário urbano, sinalética e fiscalização;

7. A monitorização dos efeitos da medida na segurança, qualidade do ar, ruído, comércio local e circulação envolvente.

A Rua Garrett já é, na prática, uma rua das pessoas. Falta que o desenho urbano e a gestão do espaço público reconheçam essa realidade.

Lisboa deve pedonalizar a Rua Garrett.
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O que vocês dizem:
Telma Sofia Guerreiro Raposo
Gostava muito de passear nesta rua com o meu carrinho de bebé mostrando ao meu filho como é bonita a cidade.
João Paulo Batalha
Isto devia ter sido feito quando foi encerrada a Rua do Carmo. Pedonalizar o eixo Carmo/Garrett/Rua Nova do Almada é libertar o Chiado! Hoje, a histórica Rua Garrett não é verdadeiro espaço público, é uma gincana insuportável.
Vasco Cruz
pedonalizar o centro inteiro? assino também!
Carlos Homem
O estado a que Lx chegou, mais do que tudo na Baixa nem para turistas serve . A câmara não parece travar e arranjar soluções para o parqueamento automóvel nem algum objectivo que visa a redução de veículos na Baixa . Conseguir que pelo menos a rua Garrett seja pedonal, seria um feito histórico neste deserto onde nem a importância histórica ,nem os pedestres são minimamente respeitados .
Ingo König
Ainda ontem lá passei e pensei literalmente "isto não pode ser verdade, está pior do que há 20 anos"
João M. Machado
Voltemos ao séc. XXI
Leticia Vieira Dáquer
Por mais ruas pedonalizadas! Lisboa precisa urgentemente de um forte movimento de unpaving. Menos carros e mais árvores. CIDADES SÃO PARA PESSOAS, E NÃO PARA AUTOMÓVEIS!
Pedro Ramos
Vivam as pessoas, viva o comércio! Viva a Qualidade do Ar! Viva a qualidade de Vida! Abaixo com esta quantidade insuportável de carros por todo o lado!
João Pedro Mata Fernandes
Que vergonha eu tenho do estado de Lisboa em termos de qualidade de vida, qualidade do espaço público.
Raquel Coelho
Só mudando poderemos mudar. Isto não é anti-condutor. Isto é pelo acesso a todas as pessoas ao espaço.
Duarte Feliciano Correia

Sou completamente a favor de cortar estradas em muitos sitios onde andam montes de pessoas, mas isto cabe na cabeça de alguem? no outro dia passei-me mesmo, estava na feira da ladra e permitem o acesso aos carros, centenas de pessoas nas ruas, a ver o mercado, a querer descansar e passa sempre a merda de um carro, lá com a sua "prioridade" e nós, os peões é que estamos mal... É impressionante a competição que temos com os carros, nesta cidade, ou melhor, neste país, ou temos carro ou somos prejudicados.
Quero uma cidade mais verde, quero uma cidade que se sinta mais como um lar, e não quero ter de sair à rua de manhã e ficar logo stressado mal ponho um pé na rua pelo barulho de motores, buzinas, ambulâncias e tudo o resto. O tuga gosta de ser o primeiro a gozar com os EUA por terem de fazer tudo de carro e não conseguirem ir a pé a lado nenhum mas nem pensam no quão ingénuos estão a ser...
Por favor continuem a fazer o que fazem tão bem, continuem a promover esta mentalidade de bom urbanismo (seguindo Copenhaga, Amesterdão/Roterdão como exemplo) e a criar estas petições, pouco a pouco vamos mudando a cidade 🫶
Simon David Watson
COMO é que isto ainda não aconteceu?!?! Toda a Baixa Lisboeta deveria ser 100% pedonal! Igual a todos os centros históricos em Espanha e em praticamente todos os restantes países europeus. Todos beneficiaríamos: comerciantes, habitantes, turistas, a economia - e sim, até os políticos passariam a ser heróis! Veja-se o que se passou com a Anne Hidalgo em Paris, que saiu do cargo como uma das presidentes da câmara com mais popularidade de sempre, e um legado incrível.
Louis Blanchard
Esta rua parece uma capsula dos anos 80, onde pode admirar os vários veículos estacionados numa da rua mais nobre da cidade, ser interrompido no seu passeio a cada 15seg por um taxi, uber, tuk tuk. Experiencia incrível para o peão.
Completamente desnecessário manter esta rua como está e não pedonaliza-lá.
Carlos Duarte

Concordo totalmente com esta proposta, hoje é claro e aceite que a pedonalizar ruas com estas características favorece os residentes, o comércio e o ambiente, só falta a vontade política que tarda sempre em chegar.
Ana Ramalhete
Carros contribuem para uma cidade mais barulheta, e de forma geral, uma cidade menos amigável à qual não dá vontade de voltar (como turista), mas mais importante que isso, torna Lisboa uma cidade não habitável! De momento, Lisboa é uma cidade brutal (no sentido violento da palavra) para qualquer pessoa: esteja ela a caminhar pela cidade, ou dentro de um carro (afinal de contas, mais carros significa mais trânsito!!). Um bom planeamento da cidade exige que a cidade seja pensada para que as pessoas se movam facilmente, em que os serviços estejam aos alcance de todos. E em ruas estreitas, como são as de Lisboa, a forma mais eficiente de nos deslocarmos é andando, ou usando transportes públicos (que são uma forma de movimentação que está organizada e que, se for a única na estrada, conseguimos garantir que não haja trânsito)