Como posso lançar uma petição para a
Assembleia Municipal de Lisboa?
Guia prático a partir da nossa experiência real. É para copiares e melhorares!
0 - Exemplos
Aqui podes ler tudo sobre a nossa petição para salvar a ciclovia Almirante Reis.
1 - Escreve o texto da tua petição
Não há regras sobre como escrever uma petição. Ah, espera! Há uma: não é obrigatório ser chato:) Explica o objetivo da petição, as razões porque aquilo que pretendes é importante, sugere a tua solução. Um terço de A4 é perfeitamente suficiente para convenceres as pessoas para começarem a mudar o mundo.
2 - Encontra parceiros
Tentámos falar e colaborar com imensas associações, aqui vêm as que foram abertas à ideia, tenta falar com elas também (e claro, podes sempre escrever para nós - quero@lisboapossivel.pt)

Cicloficina dos Anjos
Femina cicloficina
Invisible City
Cicloficina da Junqueira
LisboaFWBR
Bicicultura
Cenas a pedal
Zero
Massa Crítica Almada
Cicloficina Almada
Cicloficina de Belém
GAIA Lisboa
Comboio da Sarah Afonso
Largo Residencias
Comboio de bici EB
CaracolPop
Greve Climática Estudantil – Tejo
Greve Climática Estudantil Lisboa
Cimáximo
Quercus ANCN
ZERO
Menos um Carro
Ambientalista Imperfeita
CicloExpresso
Trabalhar com os 99%
Peão exaltado
Cicloriente
MenosUmCarro
3 - Publica a petição
Podes publicar digitalmente, imprimir e fazer tudo à mão, ou combinar as duas formas.

Nós usamos www.peticaopublica.com, vais demorar um minuto em publicar a petição, é bem fácil.
4 - Recolhe assinaturas
Para a Assembleia Municipal de Lisboa precisas de 150 assinaturas. Sempre podes inventar-te um número maior e simbólico para parecer mais bonito nos meios de comunicação – és tu quem decide.

A petição deve ser redigida a/ao Presidente da Mesa da Assembleia Municipal, portanto tens que começar sempre assim:

Exmo/a Presidente/a da Mesa da Assembleia Municipal de Lisboa

Há três maneiras de recolher assinaturas:

1) À mão
2) Digitalmente
3) Adivinhaste bem: das duas formas!

Há quem diga que recolher à mão é mais forte já que dá mais credibilidade e os jornalistas gostam. Há quem diga que digitalmente é mais rápido e chega a mais pessoas. Não parece uma dicotomia falsa? Porque debater, se dá para fazer as duas coisas?

Na nossa experiência, recolher à mão funciona bem se tens muito tempo livre, gostas de conversar com os desconhecidos nas praças da cidade e queres também perceber o que pensam as pessoas (sem ficares mal quando não pensam como tu). Em poucas horas consegues facilmente umas 100 assinaturas. Melhor se tens um ou uma cúmplice para estar lá contigo, para depois celebrarem com um compal de cerveja.

A recolha digital funciona se tens para quem enviar por email e nas redes. De forma passiva podes ir recolhendo centenas de assinaturas. A vantagem é que assim consegues chegar até pessoas que têm horários de trabalho difíceis (pensa enfermeiros) ou que não costumam tomar cafe na praça onde estás a recolher (pensa naquele amigo que há meses que não se organiza para tomar um cafe contigo!)

Misturar as duas formas é melhor porque podes sempre pedir uma pessoa na rua para partilhar a petição com amigos por via digital, multiplicando o teu esforço. Para isso podes ter o QR code preparado no teu telemóvel para fotografarem – ver exemplo.

Os deputados da Assembleia Municipal de Lisboa em múltiplas ocasiões confirmaram que para eles não importa como foram recolhidos as assinaturas, e a lei também não te limita.

Se a tua mensagem é clara e o assunto é importante ... nada disso garante que os jornalistas vão querer falar contigo! Recolhidas à mão ou digitalmente, vais ter que bater em muitas portas dos jornais na mesma, e 90% dos esforços vão dar em vão. Usa todos os meios que tens a tua disposição, tudo é brasa para a sardinha de nossa Lisboa!

Quem pode assinar? Daquilo que percebemos da lei da petição, só cidadãos e estrangeiros residentes.
5 - Submete assinaturas
Podes fazê-lo de maneira presencial.

Da nossa experiência, para submeter a AML foi necessário aparecer frente à AML, esperar que os funcionários apareçam no local de trabalho (chegámos às 9, entrámos às 10, já que ninguém lá estava...), entregar os papeis. Já está.

No mesmo dia a AML deve enviar um email de confirmação. Se não o receberes, escreve um email com todos os deputados em cópia (lista dos emails 2022).
6 - Participa na audição da Assembleia Municipal de Lisboa
Na nossa experiência, dentro de dois meses deves receber um email da AML que te convida a uma audição interna com os deputados. Nesta fase tens que preparar uma apresentação onde explicas porque a tua proposta é importante. No nosso caso fizemos a apresentação por video conferência.

Aqui convêm ter empatia com os deputados. No dia-a-dia eles têm que ouvir muita coisa pomposamente burocrática e pouco clara. Se consegues contar a tua história com imagens, pouco texto (0 a 5 palavras em cada slide) e sem nenhum bullet point, já terás melhor impacto do que 99% dos humanos.

Prepara-te para ouvires opiniões bem diferentes das tuas. Quando te fazem perguntas, antes de mais controla que a pergunta faz sentido e não alberga uma lógica falsa. Na tua resposta podes sempre desconstruir primeiro a pergunta, e depois dar a tua opinião. Quem não está de acordo provavelmente não vai ficar na mesma, mas quem ainda não tem uma ideia feita ou está de acordo contigo, vai apreciar a tua lógica e capacidade de pensar com clareza.
7 - Encontra-te com o Vereador da Câmara Municipal de Lisboa
A um certo ponto és capaz de receber uma chamada de um/uma assistente do vereador da tua area. Pensa em quem poderia ser o melhor grupo de cúmplices para apresentar a tua ideia. Nós fizemos assim.

É importante não veres este encontro como uma batalha ou guerra. Por muito improvável que isso possa parecer, os políticos responsáveis pela tua causa poderiam estar do teu lado e precisar de ti para reforçar a própria agenda (nesta altura do campeonato esperamos que as tuas ideias vão em prol de maior liberdade e bem-estar da comunidade!).

Estuda os teus argumentos, e, mais importante, prepara as tuas perguntas. É um diálogo.

Dito isso, toma nota e faz um post-fact-checking de tudo aquilo que te vão dizer.
8 - Encontra-te com a equipa do Presidente da Câmara (arquitetos e ajudantes)
Fala com as pessoas diretamente responsáveis pela elaboração do plano urbano e ajuda-lhes a perceber como pensam os moradores, os proprietários de lojas e cafés, os jovens nas escolas e universidades.

Sai a rua antes e faz as tuas entrevistas, recolha citações, pareceres, sentimentos. Se consegues passar nem que seja um dia a falar com as pessoas desconhecidas no teu bairro já terás mais noção e dados do que possa ter qualquer funcionário da Câmara – eles simplesmente não fazem este tipo de trabalho.

Já que queres ser campeão de ativismo, recomendamos leres um livro chamado Mom Test (do Rob Fitzpatrick) para aprenderes a fazer perguntas que te ajudam a evitar vies e mentiras. 

O teu conhecimento da rua e das realidades da cidade é papa feita para qualquer político que queira ser popular e ganhar as próximas eleições, não te esqueças dos ciclos eleitorais. 
9 - Participa nas audições públicas
As petições levam às audições públicas. É provável que ninguém te informe que estas acontecem! Tens que preparar-te bem: segue os políticos no Twitter, escreve diretamente para eles nas redes, tenta mandar emails. Prepara-te que vais perder algumas audições por não teres obtido a informação a tempo. 

Quando finalmente consegues fazer parte das audições, inscreve-te a falar publicamente a inicio da sessão e passa a tua mensagem. 

VENS À AUDIÇÂO E NÂO TE DEIXAM ENTRAR? Não fiques rendido, insiste para te deixarem entrar, estás no teu direito. 
10 - Fala sobre tudo aquilo que fazes
Conta aquilo que fazes, escreve artigos, usa todos os canais que tens, envolve pessoas, organizações, associações. Somos muitos a querer a mudança!
Mais brasa para a tua sardinha
Manifestação
Podes organizar uma manifestação para defender a tua causa. Temos um tutorial especial para isso.
Audição pública na Câmara Municipal de Lisboa
Se queres passar a tua mensagem diretamente para o Presidente da Câmara, o Vereador e os deputados, podes inscrever-te para uma audição pública e terás três minutos (mas sempre deixam mais) para apresentares a tua ideia. Aqui como podes inscrever-te.
Jornalistas
Faz uma lista dos jornais locais e nacionais interessados. Normalmente os jornalistas têm os próprios emails e nomes mencionados nos artigos. Também costumam estar no Twitter e LinkedIn. Prepara-te que ninguém vai ligar nem à primeira, nem à quinta: e seres resiliente. Mesmo aqueles que têm um ar de escrever sobre os teus temas provavelmente já têm "heróis de estimação" e não vão logo querer escrever sobre ti porque não te conhecem... até um dia:)
A nossa newsletter pode conter poesia...
Só enviamos a newsletter quando temos algo importante e fascinante para dizer: precisamos que assines uma petição, que apareças numa manifestação ou queremos ver-te no nosso próximo encontro com alguém incrível e inspirador. Também contamos sobre o que fazemos, com entusiasmo, mas não acredites antes de verificar este exemplo.
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