Estacionamento de bicicletas seguro perto de casa
Conseguimos que as juntas de freguesias nos ajudem a instalar estacionamento seguro onde precisamos?
Passo 1
Quanto custa a infraestrutura de estacionamento para bicicletas?
Falámos com Rui Amador da Biciway para perceber quanto custam várias opções de estacionamento e como os cidadãos em vários países conseguem tê-las instaladas:
passo 2
Apoiamos o pedido do primeiro hangar
Apoiamos a Ana Matias, do Alto de São João, que comprou a bicicleta com o apoio de fundos públicos, mas não tem onde estacionar. Ela já está a falar com a JF de Penha de França e com a CML com o seguinte pedido:

Lisboa, setembro de 2022



Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas


Nós, abaixo-assinados, moradores do Bairro Lopes e do Alto de São João, freguesia da Penha de França, e Lisboetas que apoiam a causa do vizinho, vimos requerer a instalação de um parque seguro para bicicletas no bairro.


Expomos abaixo os motivos.


- A mobilidade é um direito de todos os cidadãos e fazê-lo de modo suave, como é o caso da utilização de bicicletas, é algo que deve ser incentivado não só por motivos ligados à saúde física e mental, individual e pública, como também por tudo o que significa em termos da redução da pressão nos transportes públicos e da retirada de carros da estrada.


- Em Lisboa, onde circulam diariamente milhares de automóveis, 38% das viagens até 5 km são feitas em automóvel particular, podendo estas ser facilmente feitas em bicicletas.


- O estacionamento automóvel e para motociclos está bastante bem assegurado no Bairro Lopes (inclusivamente com estações de carregamento para carros elétricos). No entanto, estacionamentos seguros para bicicletas são absolutamente fundamentais como modo de incentivo a todos os moradores que querem utilizar ou adquirir a sua própria bicicleta e nela deslocar-se diariamente.


- Os prédios em Lisboa raras vezes estão preparados para que neles se acondicione e guarde de forma segura e sem causar incómodo as bicicletas dos residentes.


- Só em 2021, a Câmara de Lisboa distribuiu 340 000 € pelos munícipes que concorreram ao programa de apoio à aquisição de bicicletas. Possibilitar aos lisboetas parques seguros de bicicletas, minimizando o risco de furto/vandalismo e possibilitando-lhes uma utilização regular das bicicletas, é também uma forma de proteger o investimento público feito anteriormente.


- Um parque seguro de bicicletas do tipo hangar contém 6 lugares e ocupa um único lugar de estacionamento automóvel. O parque de estacionamento do Jardim da Parada do Alto de São João poderia ser o local ideal, uma vez que já tem a infraestrutura necessária para a instalação da proteção para bicicletas.


Por estas razões, pedimos ao Sr. Presidente o máximo empenho para dar resposta a esta situação.

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Passo 3
Encontro com a CML para apresentar o pedido
A Ana Matias e a Rita Prates foram ter com o João Bernardino do departamento da mobilidade da CML.

Notas da Ana Matias após o encontro



  • A EMEL vai investir 58 milhões de euros até 2025 em parques de estacionamento para 3200 carros, o que dá 18 125 euros por um lugar.

  • Se quiseres ter um dístico de residente, pagas 0 euros por ano para ter o direito de estacionar o carro.

  • Entre 2020 e 2021, a CML investiu 940 000 euros em apoio à adquisição de bicicleta, 58 vezes menos do que está previsto para estacionar carros.

  • Andamos a fazer ciclovias em barda que agora vão ser revistas e não se sabe porquê.

  • Há soluções por empresas portuguesas que garantem estacionamento seguro e seco para 6 bicicletas por uns 6000 euros, o que dá 1000 euros/lugar, 18 vezes menos do que custa um lugar para um carro.

  • A CML revela preocupações com a estética de um hangar, com a resistência por parte dos condutores e, sobretudo, com o preço. É-nos dito que a forma mais fácil de ter um hangar é pagando-o. Confirma-se assim o interesse que a CML tem em incentivar o uso da bicicleta para deslocações diárias e curtas em Lisboa, colocando à responsabilidade – e disponibilidade financeira – dos ciclistas o ter ou não um lugar seguro para a bicicleta.

  • Se não fosse pelo alheamento de se achar que qualquer pessoa ou grupo de pessoas tem 6000 euros para desembolsar assim, só o facto de a CML não ver isso como uma responsabilidade sua já seria chocante. Vamos lá ver, eu não acho que andar de bicicleta é um direito humano, eu garantidamente não tenho o direito divino a ter um parque de bicicletas. Choca é isto não fazer parte dos planos de uma cidade que tem tantos problemas de mobilidade. A questão neste caso é o que é que as pessoas que elegemos para nos representar pretendem incentivar, qual a seriedade com que se pretende enfrentar vários problemas de uma assentada só: igualdade de acesso e mobilidade para todos, melhoria da qualidade do ar, estilo de vida mais saudável e menos sedentário, trânsito na cidade, ocupação do espaço público e alterações climáticas.

  • Pessoalmente, acho que, mais cedo ou mais tarde, Lisboa vai ter parques seguros para bicicletas. Sabemos da nossa tendência de importar tarde as tendências de outras cidades e capitais europeias. A questão é que quanto mais tarde pior porque estes problemas só vão aumentar. Esta conversa é sobre muito mais do que parques de bicicletas; é sobre escolhas, sobre sinais positivos e esperançosos e sobre cidades funcionais para quem lá vive. E que a CML escolha deixar este legado é triste e desesperante porque nós queremos morar, trabalhar e movimentar-nos em Lisboa - esforçamo-nos todos os dias para isso - mas a cidade não nos dá hipótese.
Estamos aqui...
Arranjamos 6000 euros ... ou levamos o assunto à Assembleia Municipal?
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