A Lisboa na época de Carlos Moedas
O discurso da Ksenia e da Rita - umas das lisboetas possíveis - na audição pública na Câmara Municipal de Lisboa, dia 22 de Dezembro 2021
O texto original do discurso "A Lisboa na época de Carlos Moedas"
Ksenia:

Imaginem-se daqui a um século. Uma jovem lisboeta, na aula de história, lê o capítulo intitulado “A Lisboa na época de Carlos Moedas”. O que é que vai aprender?

Opção A: Nesta Lisboa da época de Carlos Moedas, os pulmões dos lisboetas, doentes após décadas a inalar gases venenosos, começaram a respirar ar puro no jardim que se tornou Lisboa. Aquela vossa rua, atafulhada com filas de carros estacionados, tornou-se o arvoredo onde as crianças brincam à apanhada. Aquela avenida barulhenta com trânsito parado, que nos fazia arranhar a garganta, acolheu passeios, ciclovias e o burburinho das conversas. Uma viajante - uma jovem empreendedora - que passou por Lisboa e não soube escolher entre um metro e um elétrico, pegou na bicicleta partilhada, pedalou pelas avenidas até ao rio, sentindo o recuperado cheiro a mar.

Rita:

Opção B: A Dona Celeste usa a bengala para desviar o caixote de lixo que ocupa o passeio, para de seguida se encontrar entalada entre os carros estacionados em cima do mesmo passeio. O neto da Dona Celeste brinca dentro de casa, já que os pais estacionaram acima do passeio, onde continua a nossa Dona Celeste entalada. Deus me livre de deixar o meu neto brincar na rua com os carros que andam tão depressa! O neto da Dona Celeste tão pouco aprendeu a andar de bicicleta, já que retiraram a única ciclovia que existia no bairro. Dona Celeste teve um aperto de coração. A ambulância que saiu de São José ficou presa entre a segunda fila abusiva e o resto do trânsito.

Ksenia:

O capitulo do livro ‘A Lisboa na época de Carlos Moedas” pode ser a Lisboa da opção A: europeia, verde, pedestre, onde as crianças podem ir para a escola de bicicleta. Uma Lisboa que empreende e ensina a beleza de viver bem.

O nosso movimento - Lisboa Possível - pede três ações simples para termos esta Lisboa hoje:

1. Criar zonas zero onde podemos caminhar, com transportes públicos que tenham prioridade e nos levem aonde precisamos de ir. Centro histórico sem carros é possível.

2. Baixar a velocidade máxima das atuais 50 para 30 km/h em toda Lisboa. Se um de vocês é atropelado hoje a 50km/h, só tem 20% de probabilidade de sobreviver. Se fosse a 30 km/h, teriam 90% de probabilidade de continuar vivos. Zero mortes por atropelamento é possível.

3. Não destruir a ciclovia na Almirante Reis. Ao contrário: a partir dela, construir uma verdadeira rede ciclável que ligue cada canto, beco ou ruela da cidade de Lisboa. Andar de bicicleta em segurança é possível.

Rita:

Excelentissimas e excelentissimos Lisboetas
Excelentissimas senhoras e excelentissimos senhores vereadores
Excelentisimo Senhor Presidente da Câmara Engenheiro Carlos Moedas

O que é que vamos ler no capítulo “A Lisboa na época de Carlos Moedas”?
Não vai acabar nenhuma ciclovia em nenhuma localidade da cidade.


– Ângelo Pereira, vareador da mobilidade

As respostas do Presidente da Câmara Carlos Moedas (PSD)
vereador da mobilidade Ângelo Pereira (PSD),
vereadora Beatriz Gomes Dias (BE),
vereador Rui Tavares (Livre)
vereador Rui Franco (Cidadãos Por Lisboa)
vereador João Paulo Saraiva (PS)
vereadora Ana Jara (PCP)
Num pequeno teatro improvisado, Ksenia apresentou uma Lisboa sem poluição e que “recuperou o cheiro do mar”, com árvores e jardins por todos os cantos, com espaço para caminhar e andar de bicicleta, com crianças a brincar nas ruas dos bairros sem filas de carros, com avenidas onde o ruído dos carros foi trocado pelo burburinho das conversas. Por seu lado, Rita detalhou uma opção, B, a da “Lisboa que conhecemos”, sem passeios dignos, sem espaço para brincar, com velocidades que tornam as ruas perigosas, uma Lisboa que perdeu ciclovias e onde as ambulâncias ficam presas entre carros parados.

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